Gravidez
Maternidade após os 35 anos

Planejamento é a palavra que mais define o adiamento da maternidade. Entre os motivos estão os desafios da vida moderna, término dos estudos, os desejos de realização profissional, estabilidade financeira, compra de casa própria ou carro zero-quilômetro.
“Por questões culturais e socioeconômicas, a primeira gravidez está acontecendo mais tarde. Apesar disso, os cuidados no pré-natal e parto devem ser os mesmos para qualquer gestante, independente da idade”, afirma Eduardo Motta, obstetra do Hospital Albert Einstein.
As mulheres que quererem ter seus filhos mais tarde precisam estar cientes de que as chances de engravidar diminuem com o passar do tempo, devido à função reprodutora. O índice de aborto espontâneo aumenta. “A quantidade de óvulos no ovário diminui e, em um determinado momento, esgotam-se”, revela Motta.
A gravidez após os 35 anos está mais associada a hipertensão, diabetes gestacional, maior ganho de peso e complicações no parto. “O risco é dobrado na faixa dos 40 anos”, afirma Motta. O médico explica que os tecidos também se tornam mais rígidos e a evolução do parto ocorre com mais dificuldade. “O número de cesarianas nas gestantes tardias é maior, pois além da menor elasticidade da pele, temos as doenças associadas que podem acelerar o parto”, conta Motta.
O risco também é aumentado quanto à saúde do bebê, que pode ser prejudicada por malformações cardíacas, renais e síndromes, como a de Down. “Quando a mulher não consegue engravidar e passa por uma fertilização assistida, aumentam as chances de gravidez de múltiplos. Além disso, o tratamento pode não dar certo para todas as pacientes”, afirma o médico.